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Fotonovela

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Em Carnavais, malandros e heróis (da Matta, 1981), seu livro mais conhecido, ele sugere uma dualidade na postura do brasileiro em casa e na rua. Para ele, a casa seria o espaço da pessoa, das relações familiares, da amizade e da confiança. Já na rua, o indivíduo seria igual aos outros perante a lei. A casa se definiria, portanto, pelos aspectos positivos; a rua pelos negativos. Posteriormente, em A casa e a rua (1991) da Matta escreveu:

Se no universo da casa sou um supercidadão, pois ali só tenho direitos e nenhum dever, no mundo da rua sou um subcidadão, já que as regras universais da cidadania sempre me definem por minhas determinações negativas: pelos meus deveres e obrigações, pela lógica do “não pode” e “não deve”

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Exibição de filme

Filme exibido para os beneficiários no CRPR

Filme exibido para os beneficiários no CRPR

Dentre as oficinas oferecidas pelo CRPR está a oficina de vídeo, que exibe, toda quarta-feira, as 14:00h, algum filme escolhido previamente pelos próprios beneficiários. Nesse dia, lá estivemos e presenciamos o pessoal concentrado assistindo o filme “O Predador”, de Arnold Schwarzenegger.

 

Dona Ana e sua neta Marceline

C I D A D A N I A

A origem da palavra cidadania vem do latim “civitas”, que quer dizer cidade. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. Segundo Dalmo Dallari:

 

 

“A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social”.

(DALLARI, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p.14)

 

 

Toda sociedade tem seus direitos e deveres fundamentais e deveria conhecê-los profundamente para que essa sociedade aplicasse cidadania e justiça.

A Constituição Brasileira de 1988 nos traz, no Capítulo I, Artigo 5º, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, garantindo-nos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, igualdade, segurança e  propriedade. Todo ser humano deve ter tratamento igual perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, como pode ser constatado no caput do citado artigo.

Cidadão é, portanto, aquele que possui DIREITOS e DEVERES, exercendo-os na sociedade em que vive. Ser cidadão é participar da vida social do seu país, cumprir seus deveres e exercitar seus direitos, com liberdade e responsabilidade, sempre buscando a realização da igualdade social e a prática do bem comum.

O que ocorre, na verdade, é que, embora garantidos pela Constituição Federal e pelas leis, o que se verifica, na prática, é uma reiterada e ostensiva inobservância desses direitos de cidadania contra a maioria da população excluída dos bens e serviços desfrutados pelas elites.

De um catador de papel que vive nas ruas, quando perguntado sobre o significado de cidadania:

 

“Cidadania é ter trabalho para ter o que pôr na mesa para os filhos”.

 

Este  catador, que está desempregado há mais de sete anos, com três filhos pequenos e a mulher grávida de gêmeos, é um cidadão é como todos, possui direito a vida, a segurança a inviolabilidade do corpo, ao direito de ir e vir, e principalmente, a IGUALDADE.

Da contorno ao CRPR…

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“Fábio – é esse quadro que está aqui, ta vendo até minha assinatura embaixo…isso aqui foi um trabalho com o Adriano, que é o nosso professor, hoje ele não veio não porque a esposa dele tava passando mal né, ai ele falo assim “ahhh, já que nós tamo faze uma sala de bate- papo, a gente que fazer um quadro” ai eu falei assim, bom agora que tipo que você quer esse quadro, ai ele falo assim “ o que você imaginar , o que você trazer você traz” ai eu falei, “ ah então ta bom” ai eu fui e imaginei essa tragédia aqui né, que é a Contorno, chegando até o centro de refêrencia…

(pausa e risos)

f- ai quando eu terminei eu coloquei ali “jesus te ama” ai coloquei lá data e a minha assinatura…2005″

Um pequeno pedaço retirado da entrevista com Fábio, ex-morador de rua e frequentador do Centro de Referência da População de Rua.

Apresentação

Esse blog tem por objetivo documentar através de entrevistas, depoimentos, reflexões, vídeos e fotos, como vivem os moradores de Rua em Belo Horizonte. Escolhemos como fonte principal de pesquisa o Centro de Referência da População de Rua, espaço diurno, criado pela Prefeitura, para convivência onde além de local apropriado para lavanderia e higiene pessoal, seus beneficiários participam de oficinas socioeducativas e palestras que buscam resgatar a autoestima e identidade, além de incorporar valores e comportamentos para a superação do processo de exclusão social do morador de rua. A vontade de descobrir o porquê de essas pessoas viverem nas ruas, as formas como eles se relacionam, suas trajetórias, e as maneiras como eles se apropriam do espaço público da cidade para neles construir suas vidas, despertou no grupo o interesse em conhecer um pouco sobre esta parte da população que não tem endereço.

Lucas, Rosângela e Luiz

Lucas, Rosângela e Luiz

Todos muito interessados nas histórias de Rosângela, que por suas contas, mora na rua há 26 anos.

luizmancini

Olhar inicial de desconfiança. Um pouquinho de conversa bastou para que a Rosângela liberasse seu sorriso simples, miúdo mas convidativo. E não se furtou para aparecer numa fotografia, coisa que nunca teve oportunidade de ver o resultado logo após ser tirada. E não é que gostou? Vindo de Ipatinga-MG, depois do falecimento de seu marido e anos difíceis de depressão, ela disse que é a terceira vez que comparece no CRPR. Ontem, ela iria trabalhar a noite no mineirão catando latinhas junto de seu novo companheiro, no jogo do cruzeiro. Boa sorte, depois talvez nos encontremos novamente.

 São homens e mulheres que, por não se relacionarem mais com o trabalho, como trabalhadores formais, também não se relacionam com o dinheiro. Geralmente não possuem existência legal, uma vez que não possuem documentos que os identificam como cidadãos e não possuem local de moradia. São homens e mulheres que romperam seus vínculos com a família, vizinhos e amigos, com o bairro, a cidade ou o estado de origem, com os espaços institucionais e de lazer.

O mundo social dos moradores  de rua não é criado ou escolhido pela grande maioria destes indivíduos, pelo menos não inicialmente, mas para o qual a maioria foi empurrada por circunstâncias além do seu controle.

Como estes indivíduos estão no nível mais baixo do sistema, também faltam as fontes de dignidade e respeito baseado nos papéis desempenhados  tipicamente  por aqueles que estão mais acima da hierarquia social.

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